12 de novembro de 2009

Era noite de uma quarta feira calorosa de dezembro em 2.005. Tudo que eu queria era chegar em casa, tomar um banho e dormir.
Entrei a passos bem leves, afinal, meia noite de uma quarta feira, deduzi que todos estariam dormindo, inocência minha.
Ao chegar na sala ouço a algazarra, e uma coisinha branca e cabeluda de um lado para o outro, ora assustada, ora brincando. Saltitava tão bonitinha, e não deveria ter mais de 15 cm de altura.
Passei a mão, brinquei, mas o cansaço era maior, deixei meus pais e minha irmã brincando com a
"fofurinha" até então sem nome.
Eu sabia que eles tinham encomendado uma poodle, tinha até ido vê-la com meus pais quando ela nasceu, mas decidi não me apegar muito, já que sempre sofria quando um dos meus animais iam embora por qualquer motivo
(leia-se qulquer motivo quando o bichinho morria, meu pai dava um fim por ser terrível ...).
Fui pro meu banho, notei que a algazarra tinha acabado, pensei com meus botões
"ufa ... afinal de contas tenho que acordar cedo!".
A casa estava mergulhada em um breu total, só se ouvia o barulho dos ventiladores ligados. Cheguei no quarto e liguei a tv bem baixinho pra adormecer com aquela luzinha azul, e quando estava prestes a dormir, ouço um choro dolorido, de cortar o coração.
Minha mãe fez o favor de colocar a
"fofurinha" recém separada de sua mãe debaixo da
minha janela. Lógico que iria haver choro, afinal de contas, sozinha, num lugar desconhecido, sem irmãozinhos, sem a mãe, até eu ...
Peguei um ursinho de pelúcia, enfiei os chinelos nos pés e fui lá pra fora.
- Toma fofurinha ! - E ajeitei o ursinho na caminha dela.
Ela rodeou, olhou pra ele, olhou pra mim, e pulou no meu pé.
Peguei a "
criaturinha fofa" e coloquei de volta em sua caminha. Não era hora pra brincar. Já eram uma e meia da manhã, e mais tarde eu acordaria as 6.
Volto pro quarto e deito. Novo choro de agonia.
Saí do quarto, peguei caminha, ursinho, potinhos,
fofurinha e levei pro quarto.
Coloquei a caminha lá no chão, apaguei a luz e a bendita
fofura volta a chorar.
Acendi o abajur, ali estava ela, ao pé da cama, sentadinha, chorando, perdida.
Me cortou o coração a cena.
Peguei a
"coisinha sem nome" no colo, coloquei do meu lado na cama, fiz uns cafunés, carinho na pancinha e em menos de cinco minutos, ela dormiu agarrada em mim e eu tbm.
No dia seguinte a mesma coisa e assim pra sempre.
A
"fofurinha", "coisinha sem nome" agora tem nome.
Marie. Simples, simpático, francês, assim como minha paixão pela França, e acima de tudo, uma mini Lady.
E foi assim que ela surgiu em nossas vidas e se tornou um membro da família.
Hoje fica dentro de casa, tem biscoitos especiais, tem uma poltrona somente dela, tem o chamego de quem quer ...
Lembro de quando ela era bem pequenina e não conseguia subir no sofá, ensinamos a ela, que pra subir onde estavamos, tinha que colocar uma almofada no chão e depois subir pra perto da gente, e ela aprendeu. Hoje ela se sente a dona do sofá.
Lembro de quando ela tomava leite em seu potinho, levantava a
"mãozinha" direita, como se estivesse fazendo um juramento perante um tribunal.
Lembro que certa vez pisei nela sem querer, ela ficou chateada e toda vez que me via, por dois dias mancava da patinha esquerda, até que um dia pra surpresa dela e minha, apareci do nada, e ela ao invés de mancar da pata esquerda, mancou da direita.
Lembro de quando fui tomar banho, ela subiu em cima da minha cama , enfiou a carinha na bolsa e comeu todo os dois bombons que haviam lá dentro e ficou com a carinha imunda. E quando me viu, pulou pra debaixo da cama.
Alguns podem pensar que sou doida, mas não sou doida, sou apaixonada pela cachorrinha que tenho. Sempre tive paixão por animais, e amo essa cachorrinha, ou essa
menina como diz meu marido e meu pai, como se ela fosse gente. E confesso que muitas das vezes ela se comportou com uma amiga.
Quando me via chorar, sentava ao meu lado - sem querer brincar, sem querer que eu jogasse a bolinha, sem nada disso, ficava muda como se dissesse, apenas estou aqui com vc.
Recebeu o Pablo de
patas abertas, e hoje chora por um carinho dele quando brincando ele finge que não a vê.
Gandhi disse que
a grandeza de uma nação pode ser julgada como ela trata seus animais. Eu vou mais longe, o caráter individual de um homem pode ser julgado como ele trata os animais a sua volta.
Animais, independente de sua espécie devem ser tratados com respeito, e se possível amor e carinho.
Quando decidiram trazer a Marie pra casa, tive certeza que ela seria bem cuidada e bem tratada, afinal aqui ninguém nunca judiou de animal nenhum. Mas não pensei que ela fosse mudar uma família toda.
No fim das contas, descobri que não fomos nós quem escolhemos a Marie, mas ela nos escolheu, e eu agradeço muito por tê-la em nossas vidas, pq ela traz alegria, e nos mostra que amor não é só entre pessoas, mas que aqueles olhinhos escuros e amendoados, ora peraltas, ora sérios, amam, e ela nos ama incondicionalmente.
Hj são quatro aninhos de Marie, e espero eu que ela viva quantos forem necessários pra ter uma vida feliz, e quando a velhice dela verdadeiramente chegar, eu quero estar ao seu lado pra mostrar que amor não é só na juventude, mas que eu amo ela memso velhinha e caquética.
Marie, eu amo vc ‼